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Sintetizadores, piano e drum machine: essa é a mistura sonora de Talles Domit

Se criatividade e originalidade são as palavras de ordem para quem busca destaque na cena, Talles Domit tem seguido o caminho certo. Ele carrega na bagagem apenas seis anos de carreira, mas trás um diferencial em sua identidade que é a influência da música clássica, inserida de forma delicada em suas produções — futuramente, ele também pretende estruturar um live act trazendo alguns instrumentos para cima do palco, como teclado e violino.

Apesar dos poucos lançamentos até aqui, Domit já conta com o suporte de peso de BLANCAh na sua música “Abstract”, lançada de forma independente, além de outros dois lançamentos assinados pela the BIRD Records e Mystic Carousel. Abaixo você confere um pouco mais da relação do artista com a música clássica.

Quando você começou a se interessar por música clássica?

Acho que os filmes me influenciaram muito nesse processo de gosto musical, as melodias, os timbres… isso me chamava a atenção, hoje eu entendo quais as sensações, mas naquela época, quando começavam as trilhas, sejam as tristes, de suspense ou alegres, comecei a criar um senso crítico auditivo muito legal. Lembro também que minha mãe me deu um teclado pra brincar, mas na inocência de criança nunca imaginaria um dia produziria música eletrônica.

Então o teclado foi o primeiro instrumento que você aprendeu a tocar? Quais outros você sabe atualmente? 

Isso, comecei no teclado, tive um amigo no início da trajetória que me passou o caminho e comecei a estudar cada vez mais, decidi pegar um professor particular por seis meses, buscando conhecer as notas por completo, cadências, escalas, harmonia e vários outros aspectos que compõem a música!

Meu primeiro objetivo é dissecar o teclado, para depois incluir mais instrumentos no Live Act. Não poderia dar um spoiler, mas o próximo vai ser um violino [risos] Ele é muito mais complexo, porém o timbre é arrepiante, quando ele entra em um break mesmo… meeeeuuuu, sem palavras!

E você ouve música clássica no dia a dia? Quem você poderia citar como referências?

Não sou especialista em música clássica, mas gosto de ouvir pra limpar os ouvidos, como Beethoven, Chopin e Mozart que são os mais conhecidos. Gosto também de ouvir músicas renascentistas que é outra base das produções, depois eu sintetizo tudo e a magia rola!

Qual é a característica mais bela desse estilo sonoro?

Não tem como citar só uma… a fluidez com que os elementos atuam e a complexidade das notas, preso por harmonia, arranjo e principalmente a afinação, parece que tudo fica mais leve e o mundo mais perfeito!

A gente soube que você já teve o prazer de fechar a pista pro Elekfantz, e eles inclusive já se apresentou ao lado da Orquestra Camerata… eles são uma referência pra você?

Não sei se estamos falando da mesma, porém teve uma com participação do Gui Boratto — outra referência muito importante pra mim. Acho que o Elekfantz foi uma grande inspiração pra procurar como desenvolver meu live, eles tem classe, usam e abusam do que a música nos oferece, e tocar com uma orquestra não é fácil, exige disciplina, ensaio, organização… percebemos que cada vez mais a música eletrônica vem ganhando mais timbres e cores, e a apresentação do Elekfantz é um exemplo, “She Knows” tem uma ambiência e os acordes soando lindo, dá impressão que estamos flutando…

O arranjo, na sua opinião, é a parte mais importante da música?

Com certeza! O arranjo é o que dá a cara na música, é um processo bem árduo, porque sempre temos que inovar, que criar algo novo para se destacar nesse mercado! Para fazer um bom arranjo é necessário um grande conhecimento musical, pois esta atividade engloba muitos elementos diferentes. A criação da base rítmica já começa com bateria e baixo, na bateria tem hat, clap, shake, percussão… então tem um baita processo para organizar tudo isso e soar lindos nos PA’s 🙂

De onde você tira inspiração no momento da produção musical?

No meio dessa pandemia confesso que as vezes não sei de onde tirar, mas tenho um dragão dourado no estúdio que simboliza o dragão do Warung, que é um dos meus sonhos de tocar, e quando olho o dragão lembro daquela galera insana no pistão do templo e isso explode uma carga de emoção que me move.

Então, o recado que eu deixo é: não desista, torne isso como prioridade na sua vida, procure sempre melhorar e buscar algo novo, não só para sua música, mas como pessoa. Leve a sério e sempre respeite o próximo.